Os deuses do futebol devem estar nos gozando
E estão. Eu ia falar sobre outro assunto, mas não posso mais postergar este alerta. Os deuses do futebol são uns gaiatos e o Parreira e o Zagallo sabem disso, por este motivo vencemos a final.
Analisem bem o passado. O Brasil precisava de um empate apenas, jogava a final da copa do mundo de 50 em casa e deu Uruguai. A fabulosa seleção da Hungria de Puskas, o carrossel holandês, a seleção canarinho de 82 que tinha Zico, Falcão, Sócrates, Júnior, Leandro etc, todos perderam. E saíram derrotados porque seus técnicos não conheciam os deuses zombeteiros do futebol, mas Zagallo conhecia. Por isso mesmo convenceu-os a tirar férias no Taiti em pleno mês da copa do mundo de 70.
Parreira é alquimista e Zagallo é formado em cabala. Muitos riram quando o velho Lobo explicou que o Brasil derrotou o Uruguai nas semifinais porque os dois times tem 13 letras no total, talvez o levem mais a sério agora. Tem pai-de-santo que muda de rua ao cruzar com Zagallo.
O Brasil jogava mal o primeiro tempo e o Parreira nem piscava. Os torcedores aflitos esperando alguma modificação na equipe, uma troca de posição entre os atacantes, ou uma instrução ao menos e o técnico lá, impassível. A Argentina faz um gol e enquanto todos observavam a comemoração dos hermanos, pude ver um leve sorriso no canto da boca do Parreira. Ele sabia o que estava fazendo. E não é que no finzinho do primeiro tempo, nós empatamos num gol de cabeça do Luizão. “Logo ele!”, comentariam alguns estarrecidos estudiosos do futebol, menos Parreira, ele tinha controle total da partida.
Veio o segundo tempo e quando o torcedor pensava que o pior havia passado e que o Parreira trocaria alguém, nada. Como ele previa, a Argentina continuava melhor e pressionaria até fazer o gol e fizeram. A vaca parecia que ia para o brejo, mas então o técnico resolveu mudar a equipe e quem ele coloca: Júlio Batista que é forte, ruim e burro. Perfeito. Mas foi aí que o imponderável aconteceu. Juan sente uma lesão na perna e Luizão passa mal. Como o técnico só tem mais uma substituição, Julião não pode entrar e ele tem que optar por Cris que é igualzinho ao Batista, só que não é tão forte. Muitos torcedores brasileiros começam a abandonar o estádio, outros ficam apenas para expressar sua admiração pela mãe do técnico nacional, todos estão desesperados, menos o Parreira, somente ele mantém a calma. Ele sabia que era um sinal dos deuses, aqueles brincalhões, pensava.
O técnico da Argentina muda bem a equipe, coloca D’Alessandro no time. Se o Brasil já estava sendo humilhado antes, agora então os argentinos fazem até roda de bobinho com a seleção canarinho. Nem as botinadas de Cris intimidam os platinos, bem verdade que ele é tão ruim que o único pontapé que acertou pegou no bandeirinha.
E no último minuto, quando nem a velhinha de Taubaté acreditava mais na seleção, a bola sobra para Adriano (que até aquele momento só tinha aparecido na tevê uma única vez e foi para beber água), e ele ainda faz uma embaixadinha e marca o gol salvador. Lógico que nos pênaltis, quem perderia seria o D’Alessandro, o craque argentino, por isso Parreira já comemorava antes das cobranças, mas poucos perceberam.
Enfim, fica o alerta, precisamos urgente formar uma escola de técnicos com estes dois fenômenos, ou perderemos o bonde da consagração colocando os melhores em campo. A única coisa que me preocupa é que ao vencer a Argentina com o time E nos tornemos favoritos. Mas Parreira sabe disso, por isso não estranhem se em pleno Maracanã estivermos perdendo para a Bolívia por seis a zero e vocês se voltarem para o técnico e ele estiver tranqüilo e sorrindo. Será necessário.
Escrito por Guerreiro T. às 09h09
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